sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

HAITI



HAÍTI



Aí de ti...

Que passa
pelas frestas da terra,
sucumbi
barracos e palácios
com seus tremores
vis.



Aí de ti...

Que dilacera
milhares de corpos
e apaga
milhões de almas.



Aí de ti...

Que apavora
todo o povo
do mundo
e faz da dor
de quem fica
ainda mais profunda...


Aí de ti...

Mais ainda de mim,
que senti
a casa cair...
a família partir...
e ficar ainda sem chão...

Porque tu rasgaste meu coração?


Élsio Soares

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DESEJO




...

TUDO QUE SENTIRES

SERÁ FEITO UM DESEJO...



DENTRO DE TI HAVERÁ

APENAS UMA EXPLOSÃO

TOCANDO-TE TÃO SUAVE

IGUALMENTE MEU BEIJO!





ÉLSIO SOARES

sábado, 7 de novembro de 2009

VENDAVAL



Cavaleiros com bandeiras
Sobre as nuvens fazem guerra –

(Cortinas de ferro em vendaval,

Poeira de sangue no lençol).



Corpos mortos pelos sonhos

Se misturam com as estrelas:

Crianças brincando no saguão,

Com os braços erguidos de He-Man!



Cavaleiro de histórias e de contos...
Fidalgo,

transforma em um herói

Que morto se mistura com os reais.



O SONO DAS ALMAS



Todos mortalizados pela noite
Camuflam no suícidio dos corpos.


Nenhum espírito

desampara as carnes


Sai solitário, senta-se

no madrugal e embriaga-se!


Nenhuma alma

Está solta na estrada

Seguindo as setas,

Sem pernas...


Sem olhos!


Enlouqueço no meu Karma!


Separo meus lados:

Corpo esquálido

Esquálida alma.


Ele imobilizado

Atenta-se ao fluido da irmã


Solitária


Prestes a adormecer no espaço...


Enlouqueço no meu Karma!


Tomo o corpo nos

braços da minha própria alma


E adormeço!




Élsio Américo Soares

INSÔNIA





Cinzas dormidas no

patamar noturno das brisas
esmaga-se ao passo felino,
calmo tal luar febril das chamas.


Esvoaça pela noite garrida
das nuas vidas da insônia,
d’onde o mel ultraja a ferida
no vértice dos ventos
e no suor esquálido das chuvas.


Suga o amanhecer

da minha morte bendita
e faze de mim

um cinzeiro mortal
de tuas cinzas,
que ao calar o refúgio
se faz fechar o bocejo

irônico da vida.


Dorme e sonha junto às ninfas,
Ó cigarro curador de minha insônia!


Mata-me ao desejo
nesta cama de esfumaço...


Mata-me, ó insônia,
até que eu mereça dormir
na sombra vil do cansaço!...




Élsio Soares


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

IMAGINÁRIO FIM





Meu sangue coagula...


Vou me perdendo


na imensidão do além...




Uma voz


vem beijar-me os tímpanos


E o escuro é a tez


do último momento...




Há ainda uma estrela


perdida no meu medo...




Há ainda uma carícia,


derradeira saudade


de quem diz amém...




Há em mim o fervor


para abrilhantar a partida




neste imaginário...




Imaginário fim...







Élsio Soares

GARÇAS NEGRAS



Quer voar
Voar no céu e no mar

Aprender

O segredo das asas

E partir...


Ah...

Garças negras são raras

São gaivotas

Araras

Solitários meninos



Quer amar

Amar um outro e um olhar

Viver

Os segredos da vida

E morrer...


Ah..

Garças negras são raras

São gaivotas

Araras

Solitárias meninas


Quer partir...

Partir as asas dos Homens...


Dos Homens negros da África


Quer morrer...


Morrer a vida dos Pássaros...

Dos Pássaros negros da África


Ah...

Garças negras são raras

São gaivotas

Araras


São as únicas que cantam

Nas trincheiras da África



Élsio Soares